segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Viajem...

Chuva...

Dentro do ônibus, um Universo que me esmagava por sua pequenez e previsibilidade.

O mundo lá fora se tornava cada vez mais embaraçado e invisível conforme caía a chuva...

Outro mundo era deixado para trás...

Ahh! Mas esse mundo era diferente! Esse mundo é mágico!

Não existe um mundo melhor. Não que ele seja grande, cheio de riquezas... Não! Esse mundo é composto de dois braços, dois olhos brilhantes e um enorme sorriso...

Não existem muros de concreto nem de aço ao redor desse mundo, mas é lá que eu me sinto mais seguro...

Quando estou nesse mundo, a única coisa que pode me preocupar é o medo de perdê-lo...

Ao sair dele, a única coisa da qual se ocupa minha mente é voltar para ele o mais rápido possível...

E permanecer nele eternamente.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

É ela!

Eis a constatação a qual todos os homens querem chegar...

Quem não gostaria de olhar para uma menina e dizer: "Sim! É ela!"

Há quem duvide da existência dessa menina dos olhos brilhantes que, segundo se conta, deve estar andando despreocupada por aí, com os cabelos balançando ao vento...

Eu quase cheguei a desistir também...

Enterrado em minha pacata cidade, pensava que jamais a encontraria. Afinal, o mundo é tão grande.

Mas, enfim, as coisas começam a acontecer. Você adianta uma viagem em 2 dias. Ela adianta em 5. Você chega em uma cidade nova. Você a vê saindo da cidade e a conhece...

Nunca esquecerei esse dia em que, ao passar pela frente daquela porta fechada, ela abriu-se de surpresa e ela saiu...

E nosso olhos se cruzaram.

E, no íntimo do meu ser, em todas as fibras do meu corpo, senti se propagar uma certeza uníssona:

É ela.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

E tudo seria tão diferente...

Sim. Saber que ela viria faria tudo diferente.

Os dias não seriam cinzas esperando a água da chuva carregá-las...

Os dias seriam doce espera, olhares atentos para o ramo da plantinha de onde surgiria uma belíssima e única 

FLOR.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Quero estar contigo para sempre

Sabe que contigo tenho aprendido muitas coisas?

Aprendi que o amor não faz sofrer; e se fizer sofrer, não merece receber o nome de amor.

Aprendi que existem coisas na vida que são inevitáveis. Te encontrar foi uma delas.

Aprendi que amar é dobrar a vida; é viver 48 horas por dia; é sentir a vida pulsando a cada segundo; é sentir que o tempo é eterno e que os bons momentos jamais passarão.

Aprendi que na vida tudo tem um propósito, um fim; aprendi que os dias que passamos nesse mundo têm uma finalidade; aprendi que basta olhar para quem se ama para surgir um sorriso no rosto que escapa ao controle e invade toda a vida.

Os dias já não são mais vazios.

As horas já não passam mais devagar. São eternas do teu lado.

E agora sei o que se quer dizer quando se fala: "Eu quero estar ao teu lado para sempre."

Eu sinto isso.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Universo conspirava a nosso favor... E eu achava que era contra

E eu ainda achei que ia ficar sozinho pra sempre...

Que as pessoas iam passar por mim e balançar a cabeça como se balança para aqueles que nunca conheceram a felicidade...

E que o mundo era assim mesmo, cinza, cheirando a óleo queimado...

E que todas as meninas eram de plástico...

Corpo, vida e coração de plástico...

E que eu nunca fosse encontrar alguém que fosse realmente vida...

E coração, e nervos, e intestinos, e suor, e lágrimas, e ser que inspira, expira, e vive...

E voa.

Como dizia Coélet, filho de Davi...

O sol se levantava, o sol se punha, voltando depressa pro lugar de onde surgiria de novo...

O vento soprava para o sul, depois para o norte, e girando e girando, ia dando as suas voltas...

Todos os rios corriam pro mar, e o mar nunca tranbordava...

Mesmo que chegassem a seu fim, os rios nunca paravam de correr...

As coisas que aconteciam, aconteceriam de novo, debaixo do sol não havia nenhuma novidade...

Do riso eu dizia: "Tolice!" e da alegria: "Pra que serve?"

E os dias eram tristes...

Mas então surgiu uma luz...

E ela era tão forte que virei o rosto para o lado com medo de que ele fosse queimado...

Mas logo olhei seus olhos...

E vi que eles me olhavam...

E nunca ninguém tinha me olhado assim...

E hoje já não tenho medo que a luz me queime...

É ela que me dá vigor, e força, e alegria...

E agora sei porque as coisas se movimentavam daquele jeito...

O sol, os ventos, os rios...

Tudo se movimentava para que a gente se encontrasse...

O Universo conspirava a nosso favor...

E eu pensava que era contra...

De tudo ficaram três coisas...

A certeza de que a amo...

A certeza de que o mundo é bom...

A certeza de que quero ser feliz para sempre com ela...

Eu a amo.

Mais do que qualquer pessoa pode amar no mundo.

Tinha um sonho...

...mas não acreditava nele. Quem ousaria sonhar algo tão sublime, algo tão transcendente quanto isso? Quem poderia um dia querer algo dessa magnitude sem ter medo de ser esmagado? Quem poderia imaginar uma vida onde o outro está ligado a você de uma forma totalmente inseparável?

Bastou ela aparecer, então. Apareceu num desses dias que de tão intensos, não se esperava que nada acontecesse; afinal, tudo sempre acontece "numa manhã calma de primavera..."

Surgiu como se surge uma flor exatamente debaixo da sua janela, perspicaz, límpida, delicada e colorida.

Tinha uma flor no meio do meu caminho. E minha vida nunca mais foi a mesma.

Sempre te amo pra sempre, Sâmy.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Caminhava



Meu pescoço doía enquanto eu olhava os prédios altos, em sua conspiração silenciosa para caírem sobre mim.

Minha cabeça zonza de fumaça e barulho girava.

Uma bolha no pé incomodava ao andar.

Mas, sobre uma árvore, um pequeno pássaro cantava.

PS - Era o mais belo dia de todos.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O primeiro dia

Quantas e quantas vezes já ouvi alguém dizer que se deve viver como se fosse o último dia de sua vida? Quantas vezes se ouve falar por aí que ver todas as coisas como se fosse pela última vez faz com que você aproveite as coisas ao máximo?

Perdoem-me os que criaram essa teoria, e também os adeptos a ela.

Mas não posso fazer isso comigo.

Isso porque pensar que hoje é meu último dia me faz concluir que eu já vi e fiz tudo o que deveria ter visto e feito durante essa vida, sobrando espaço apenas para um e outro ajuste que eu estou empurrando há tempos com a barriga.

Prefiro ver a vida como se esse fosse meu primeiro dia aqui nesse mundo.

Experimente fazer isso. Sinta que é a primeira vez que vê as coisas. Olhe para as árvores, para as plantas, para os cachorros de rua, para o céu, para você mesmo no espelho, para o porteiro do seu prédio, para o cobrador do ônibus, para a sua família, para o seu quarto, para a sua namorada, para os seus amigos...

E você sentirá uma vontade tremenda de conhecer tudo.

Uma vontade de chegar até as árvores e lhe sentir a textura, coisa que certamente há muito tempo você não faz...

Uma vontade de falar com o porteiro, por quem você passa todos os dias e nem dá atenção, e perguntar como é a sua vida, se está com fome ou frio, falar sobre sua família, sentir vontade de conhecer seus filhos e sua mulher...

Vontade de escanear o céu e poder gravar na memória cada um dos traços e dos desenhos que as nuvens formam...

Vontade de falar com a pessoa que você ama e sentir todo esse amor como da primeira vez; e falar que a ama como falou da primeira vez; e a beijar como se fosse o primeiro beijo; e descobrir todo dia mais e mais as coisas que ela gosta e que a fazem feliz...

Vontade de olhar para todas as coisas e descobrir o quanto você deseja conhecê-las.

Fique feliz.

Esse é o primeiro dia.

De todos.

A verdade

Senti suas mãos quentes me tapando a visão, olhei para trás e vi teus olhos grandes me olhando e derramando um fluido extremamente brilhante que entrava pelos meus olhos e inundava toda a minha vida...

Olhei para dentro de mim e perguntei-me: "Existe alguém mais feliz e completo e tranquilo e confiante do que eu depois que te encontrei?"

Em verdade, responder "não" a essa pergunta foi a coisa mais sensata que já fiz em toda a minha vida.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ser de novo

Depois de tanto tempo, a vontade de ser de novo...

A vontade de finalmente erguer a estrutura definitiva depois de tantos desabamentos e demolições e desconstruções e pilhagens e pichações e sujeira na parede...

Dessa vez tudo deve ser pensado.

Meticulosamente.

Os alicerces já estão lá, tão fundo quanto é possível e pensável.

Ou até mais do que isso.

Comecemos a construção, então.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sobre certas coisas

Um dia as coisas todas convergiram e eu me vi ali, sentado no topo, no pico, sobre a maior montanha do mundo e ao mesmo tempo à beira do maior precipício.

E vi a maravilha que é a vida no vale lá embaixo.

Mas... como descer até lá? Meus pés eram de chumbo, minhas raízes estavam fincadas naquela montanha...

Arranjei cordas, as mais fortes, as mais resistentes, e me amarrei a elas; coloquei roupas especiais contra o frio e também um capacete super-resistente; enchi a mochila com as provisões para a descida; não esqueci do meu cilindro de oxigênio.

E a descida começou.

Um passo, pequeno, tímido, nervoso. Mais outro, um pouquinho mais confiante. Agora, um pequeno salto. Uma pedra rola.

E desaparece no abismo.

Interrompo a descida. Olho para o vale, azul, sereno. Vale a pena descer? O vale parece tão lindo, mas tão longe, longe, longe... e a descida, muito íngreme; e eu, tão despreparado...

Choro. Choro por sentir, no fundo da alma, que o vale é inacessível pra mim. Choro ao concluir que a descida é praticamente impossível; e se possível, é muito demorada, de modo que eu só conseguiria chegar ao vale no fim da vida e das forças, quando não poderia desfrutar mais das maravilhas do vale...

Não via outra saída, decidi voltar. Voltaria a ser o homem do pico da montanha. O último homem solitário. Homem lobo. Homem nuvem. Homem pó.

Enxugo os olhos. Olho o horizonte, sempre longe, longe...

Sinto uma mão no ombro. Olho surpreso. É ela. Nunca a tinha visto fora dos meus sonhos e devaneios,mas sabia que era ela. Tinha uma pele muito rosada, e estava com um vestido prata. E olhava o horizonte. Todo o seu ser exalava um aroma cor do céu, uma luz macia a envolvia inteira.

E olhava o horizonte, insistentemente.

Olhei também, buscando ver o que ela procurava. E ficamos assim, juntos, olhando a linha onde o céu tocava o chão, as árvores, as pessoas e todas as coisas, durante dias e dias...

Numa bela manhã de sol, ela fechou os olhos. Inspirou lentamente, numa inspiração que pareceu durar todos os séculos e conter muitas vidas. Abriu os braços e, como num passo de dança, levitou suavemente sobre o abismo. O sol provocava reflexos em sua roupa, sua pele, seus cabelos, e ela iluminava o mundo todo. Rodopiou diversas vezes, subiu, desceu, deu voltas e voltas na montanha.

E parou na minha frente.

E abriu os olhos.

Naquele momento, ela conheceu todo o meu ser.

"Vem!", sussurrou.

Pobre moça, não sabe que eu não sei voar?!

Mas ela insistiu. "Vem!" Mas eu estava muito amarrado, muito carregado. Ela, então, cortou elegantemente todas as cordas, me tirou a mochila, as roupas contra o frio, o cilindro de oxigênio, o capacete.

E disse: "Vem!"

Oh, moça! Eu tenho os pés de chumbo, não posso voar!

Ela insistiu: "Vem! É só fechar os olhos! Segura a minha mão."

Fechei, peguei na mão dela. O vento bateu no meu rosto, e eu me seti flutuar. Senti que rodopiava e brincava pelos céus ao lado dela. E me senti entre as nuvens e as estrelas.

Foi quando abri os olhos. E vi novamente o abismo.

Senti uma vertigem e comecei a despencar. Ela correu em meu socorro. E me segurou. Mas eu estava apavorado. Berrava deseperadamente: "Eu vou cair! Eu vou cair!"

Ela carregou-me com dificuldade até um lugar seguro. E eu a vi novamente. Estava cheia de marcas de dentes e unhas que, no desespero, usei para me segurar. Seu vestido estava todo rasgado, e ela chorava muito. E eu também chorei, chorei demais. Porque eu a tinha machucado. E aquelas marcas pareciam que iam ficar lá para sempre.

"Oh, menino! Você precisa aprender tantas coisas ainda!", dizia ela, consolando-me.

Foi o dia da promessa. Quando prometi ter mais coragem e segurança para voarmos juntos pelo mundo. E senti tanta força e segurança que os céus pareceram pequenos para os voos que alçaríamos.

E o vale? Não me preocupa mais. Pois hoje sei que basta alçar voo para alcançá-lo, e logo nós dois estaremos lá.

Embora eu saiba que não vamos ficar lá: há muitos vales no mundo a serem explorados.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Jango

Jango olha.

Jango vê as árvores, os carros, as janelas, as sobrancelhas e os dentes, tijolos e grades, topos de prédios e tampos de bueiro.

Mas Jango não vê a cera no ouvido de seu companheiro.

Não vê o chiclete grudado no sapato.

Não vê o homem com sangue nos olhos e um punhal cravado no peito por quem passou na última esquina enquanto olhava as árvores e os carros e as janelas e as sobrancelhas e os dentes e os tijolos e as grades e os topos de prédios e os tampos de bueiro.

Pobre jango.

Jango cego.

Jango longe.

Jango vento.

Jango pó.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Renúncia...

-Pois é, agora que você renunciou às trevas, não postou mais no blog... - constatou meu colega um dia desses em plena aula de Entrevista Jornalística.

Isso me fez pensar.

Não tive mais ânimo para postar nada mesmo.

Será que algo mudou?

Será que a confusão que antes existia já não existe mais?

Será que os olhos estrábicos finalmente se alinharam?

Parece que o mundo mudou. A confusão que existia não está mais numa sala cheia de mofo, mobiliada com móveis do século XIX e com teias de aranha por todos os lados.

A confusão mudou-se.

Está num apartamento minúsculo.

Com móveis extravagantes que vieram de muito longe.

Com janelas abertas por onde entra um vento norte muito forte.

Eu não me preocupo mais com a confusão.

Ela está lá, mas não me chama a atenção.

Os olhos estrábicos ainda estão aqui.

Tão desalinhados quanto antes.

Agora não procuro mais alinhá-los para ver melhor: ver assim é mais divertido.

E real.

domingo, 11 de julho de 2010

Promessas...

Sâmy! diz:
*Confia em mim, nunca vou te fazer mal
Marcos Vinicios diz:
*perdoa minhas fraquezas
Sâmy! diz:
*posso até fazer bobagem e falar besteiras, e ser uma bobona a maior parte do tempo; mas falo bobagem por medo de perder você, e sou uma bobona porque não sei viver sem seu sorriso
*e acima de tudo, eu te amo, eternamente
Marcos Vinicios diz:
*óin...
*tbm te amo
*te amo, e é por isso que vou mudar
*Sâmy, vc está aí
*e naum me vê
*mas quero dizer uma coisa e quero que tu seja testemunha
Sâmy! diz:
*pode falar
Marcos Vinicios diz:
*pelo nosso amor
*eu prometo, de agora em diante ter mais coragem
*prometo buscar a luz, ao invés de ficar discutindo inutilmente com as trevas
*prometo que vou me casar contigo
*e te farei a pessoa mais feliz do mundo
*apesar dos tropeços, nosso amor nunca se abalará
*prometo, finalmente, que te amarei por toda a vida
*até o fim dos tempos
Sâmy! diz:
*Obrigada
*eu te amo
*que outras palavras poderia eu lhe dar?
Marcos Vinicios diz:
*eu te amo tbm
*pra sempre
Sâmy! diz:
*prometo me esforçar, pra que você nunca se arrependa de ter prometido tudo isso pra mim
*Prometo que farei de tudo pra te ver sorrir, todos os dias
*e que vou te amar, e trazer alegria e cor ao seu mundo, sempre que puder
*prometo que vou segurar sua mão quando estiver com medo, e vou contigo sempre
*prometo nunca cortar esse elo que existe entre eu e vc

terça-feira, 29 de junho de 2010

Eu te nomeei rainha.
Existem mais altas que tu, mais altas.
Mais puras do que tu, mais puras.
Mais belas do que tu, mais belas.

Mas tu és a rainha.

Quando vais pelas ruas
ninguém te reconhece.
Ninguém vê a coroa de cristal, ninguém vê
o tapete de ouro vermelho
que pisas por onde passas,
o tapete que não existe.

E apenas apareces cantam todos os rios
em meu corpo, as campanas
estremecem o céu,
e um hino enche o mundo.

Somente tu e eu,
somente tu e eu, amor meu,
o escutamos.

De Los versos del Capitán

Pablo Neruda

Teus olhos...

O que são esses olhos grandes?

São doçura... são ar morno inundando as coisas ao redor... e a vida... derramando uma luz macia sobre tudo... e sobre mim.

Pois olhas pra mim. E me encolho, quem sou para encará-los?

Mas levantas meu rosto.

E nesse momento sei que conheces todo o meu ser.

Desde todo o sempre.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Eu tinha uma verdade...

...inteira, alva, loira como o sol, porém agonizante, jogada aos meus pés, à beira da morte.

A outra chegou e me ofereceu um monte de inverdades quentes, reconfortantes, que são antes de tudo nervos, e intestinos, e vida, e coração pulsante, e ser que vive, e inspira, e expira.

E voa.

Não pensei duas vezes.

Fechei os olhos.

E fui.

sábado, 22 de maio de 2010

Devaneio

Não, definitivamente não.

Pensar não é um ato verbal.

Como traduzir um poema para uma língua estrangeira sem fazer com que ele perca suas particularidades, sua essência? Impossível!!!

Como ser fiel ao pensamento e dizer aquilo que exatamente se pensa? Pensamento é sentido; palavra, apenas significado. Por isso a frase escrita nunca é a derradeira.

A música? Talvez seja o modo menos infiel de se transmitir 0 pensamento. Talvez pela hipnose que ela provoca. O verdadeiro pensamento só se mostra na hipnose.

Solução para o problema? Nenhuma. A comunicação é sempre irreal. Limitada. Finita.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Às formigas

Formigas...

Suponho não existirem seres mais sábios - o sapo do Vítor talvez o seja. Que espécie de inteligência consegue guiar esses seres com o cérebro menor do que uma cabeça de alfinete? São inteligentes - são civilizados. Mas a civilização deles é diferente. Eles não discutem a ideologia dominante das rainhas - sabem que as rainhas são dominantes, e isso basta. Não perdem tempo tentando crescer e se tornar mais influentes no formigueiro - participam do formigueiro, e isso basta. Não se perdem em emaranhados de discursos sobre o ser e o não ser - existem, e isso basta.

E isso me leva a crer em uma coisa: o futuro da humanidade é o formigueiro. Não existe uma civilização mais evoluída do que a das formigas. Como fazer com que seres humanos consigam trabalhar em uníssono pelo bem da comunidade como esses pequenos artrópodes?

Só quando o homem descobrir que o vício de pensar deve ser abolido, quando ele souber que a dominação nada mais é do que natural, quando desvendar que viver nada mais é do que simplesmente viver - então o Grande Irmão se erguerá e imporá a sua Ordem. E então toda a Terra será uma só nação, e a futuro da Humanidade estará assegurado pelos séculos dos séculos.

(Não sei, mas estou com vontade de sair chutando formigueiros por aí.)

O que é

Todas as pessoas conhecem o mundo, certo?

ERRADO!!!

As pessoas conhecem apenas a imagem que elas tem de mundo. Ninguém vê o mundo em sua essência, todos veem as coisas de seus estreitos ângulos. Qual o problema disso?

Nenhum. Tem-se, assim, uma pluralidade de mundos, como se tem também uma grande porção de "Marcos" na cabeça de cada um que me conhece, assim como e conheço meus amigos de um modo que ninguém mais conhece.

O objetivo dos textos? Mostrar as visões de mundo que tenho através de meus olhos estrábicos (Occhi Strabici), as distorcidas e singulares visões de mundo que eu, como qualquer ser humano, desenvolvo.

Vejamos o mundo, então.