terça-feira, 29 de junho de 2010

Eu te nomeei rainha.
Existem mais altas que tu, mais altas.
Mais puras do que tu, mais puras.
Mais belas do que tu, mais belas.

Mas tu és a rainha.

Quando vais pelas ruas
ninguém te reconhece.
Ninguém vê a coroa de cristal, ninguém vê
o tapete de ouro vermelho
que pisas por onde passas,
o tapete que não existe.

E apenas apareces cantam todos os rios
em meu corpo, as campanas
estremecem o céu,
e um hino enche o mundo.

Somente tu e eu,
somente tu e eu, amor meu,
o escutamos.

De Los versos del Capitán

Pablo Neruda

Teus olhos...

O que são esses olhos grandes?

São doçura... são ar morno inundando as coisas ao redor... e a vida... derramando uma luz macia sobre tudo... e sobre mim.

Pois olhas pra mim. E me encolho, quem sou para encará-los?

Mas levantas meu rosto.

E nesse momento sei que conheces todo o meu ser.

Desde todo o sempre.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Eu tinha uma verdade...

...inteira, alva, loira como o sol, porém agonizante, jogada aos meus pés, à beira da morte.

A outra chegou e me ofereceu um monte de inverdades quentes, reconfortantes, que são antes de tudo nervos, e intestinos, e vida, e coração pulsante, e ser que vive, e inspira, e expira.

E voa.

Não pensei duas vezes.

Fechei os olhos.

E fui.