sábado, 22 de maio de 2010

Devaneio

Não, definitivamente não.

Pensar não é um ato verbal.

Como traduzir um poema para uma língua estrangeira sem fazer com que ele perca suas particularidades, sua essência? Impossível!!!

Como ser fiel ao pensamento e dizer aquilo que exatamente se pensa? Pensamento é sentido; palavra, apenas significado. Por isso a frase escrita nunca é a derradeira.

A música? Talvez seja o modo menos infiel de se transmitir 0 pensamento. Talvez pela hipnose que ela provoca. O verdadeiro pensamento só se mostra na hipnose.

Solução para o problema? Nenhuma. A comunicação é sempre irreal. Limitada. Finita.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Às formigas

Formigas...

Suponho não existirem seres mais sábios - o sapo do Vítor talvez o seja. Que espécie de inteligência consegue guiar esses seres com o cérebro menor do que uma cabeça de alfinete? São inteligentes - são civilizados. Mas a civilização deles é diferente. Eles não discutem a ideologia dominante das rainhas - sabem que as rainhas são dominantes, e isso basta. Não perdem tempo tentando crescer e se tornar mais influentes no formigueiro - participam do formigueiro, e isso basta. Não se perdem em emaranhados de discursos sobre o ser e o não ser - existem, e isso basta.

E isso me leva a crer em uma coisa: o futuro da humanidade é o formigueiro. Não existe uma civilização mais evoluída do que a das formigas. Como fazer com que seres humanos consigam trabalhar em uníssono pelo bem da comunidade como esses pequenos artrópodes?

Só quando o homem descobrir que o vício de pensar deve ser abolido, quando ele souber que a dominação nada mais é do que natural, quando desvendar que viver nada mais é do que simplesmente viver - então o Grande Irmão se erguerá e imporá a sua Ordem. E então toda a Terra será uma só nação, e a futuro da Humanidade estará assegurado pelos séculos dos séculos.

(Não sei, mas estou com vontade de sair chutando formigueiros por aí.)

O que é

Todas as pessoas conhecem o mundo, certo?

ERRADO!!!

As pessoas conhecem apenas a imagem que elas tem de mundo. Ninguém vê o mundo em sua essência, todos veem as coisas de seus estreitos ângulos. Qual o problema disso?

Nenhum. Tem-se, assim, uma pluralidade de mundos, como se tem também uma grande porção de "Marcos" na cabeça de cada um que me conhece, assim como e conheço meus amigos de um modo que ninguém mais conhece.

O objetivo dos textos? Mostrar as visões de mundo que tenho através de meus olhos estrábicos (Occhi Strabici), as distorcidas e singulares visões de mundo que eu, como qualquer ser humano, desenvolvo.

Vejamos o mundo, então.