quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Jango

Jango olha.

Jango vê as árvores, os carros, as janelas, as sobrancelhas e os dentes, tijolos e grades, topos de prédios e tampos de bueiro.

Mas Jango não vê a cera no ouvido de seu companheiro.

Não vê o chiclete grudado no sapato.

Não vê o homem com sangue nos olhos e um punhal cravado no peito por quem passou na última esquina enquanto olhava as árvores e os carros e as janelas e as sobrancelhas e os dentes e os tijolos e as grades e os topos de prédios e os tampos de bueiro.

Pobre jango.

Jango cego.

Jango longe.

Jango vento.

Jango pó.

Um comentário:

  1. Jango... Jango...

    Tadinho, tão triste e sozinho no mundo..

    Ainda bem que ele saiu de dentro de você, e deixou o Marcos Estrela Solar brilhar sozinho, porque as estrelas estão sempre sós, mas nunca perdem o brilho que alcança os confins do universo...

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Olhares estrábicos